📚 21/09/2026 strategic-culture.su  5min ⁑️ 9 🇸🇹 #327448

O Festival Mundial da Juventude continua demonstrando sua relevância

600px/600px - 113.04 Koreduce by 50%del

Raphael Machado

Festival Mundial da Juventude em Ecaterimburgo reúne jovens de todo o mundo e mostra uma Rússia eurasiana que avança apesar do cerco ocidental.

Escreva para nós: infostrategic-culture.su

Tendo tido a honra de participar como correspondente internacional do Festival Mundial da Juventude, realizado este ano em Ecaterimburgo, penso ser necessário apontar com aprovação para todo o esforço empreendido pela Rússia em receber jovens de todo o mundo e mostrar para eles um pouco da alma russa, bem como aspectos menos conhecidos do país. De fato, a impressão que se tem - para quem esteve no evento de 2025 em Nizhny Novgorod - é de um festival ainda maior em termos de infraestrutura e de interesse humano.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar o brilhantismo da seleção de Ecaterimburgo como sede do evento. Estando na região dos Urais, os visitantes estavam na própria fronteira entre Europa e Ásia, num lugar de encontro entre povos e de fusão entre as duas partes fundamentais da Rússia; em outras palavras, o local possui uma natureza eurasiática por excelência e guarda, portanto, uma correspondência com a autoimagem que a Rússia cada vez mais assume para si mesma. O lugar possui também um simbolismo importante, especialmente para a nova Rússia que emerge no horizonte e que busca uma certa conexão com seu próprio passado. A cidade de Ecaterimburgo foi onde a última dinastia imperial russa, Nicolau II, sua esposa e seus filhos, além de alguns empregados, foram assassinadas de forma bastante violenta. Nos anos recentes, patriotas têm marchado anualmente para homenagear seus últimos monarcas e pedir proteção a eles, que pela natureza de sua morte foram canonizados pela Igreja Ortodoxa Russa.

Agora, deixando de lado o simbolismo geográfico e histórico da cidade, e indo ao evento em si, havia atrações de todos os tipos e gostos, e apesar da maioria estar voltada especificamente para os jovens, por motivos óbvios, quaisquer adultos lá encontrariam algo de interessante entre as palestras e debates e entre os estandes de exibição dos pavilhões.

É possível apontar para alguns destaques.

Evidentemente, é de se destacar o discurso enviado pelo presidente Vladimir Putin à cerimônia de abertura do evento, qual ressaltou a importância da juventude na construção de um futuro pacífico e justo. A cerimônia de abertura, em si mesma, foi muito bem pensada e estava permeada, por assim dizer, do mesmo espírito dos BRICS. O conceito da cerimônia envolvia os 5 continentes e suas civilizações distintas se encontrando, com apresentações que puxavam elementos das culturas tradicionais dos vários povos representados ali, além de um apelo figurativo a certos animais simbólicos selecionados para cada continente. Elementos musicais contemporâneos se fundiam aos aspectos tradicionais numa síntese elegante e que despertou a atração da audiência.

Também me parece relevante chamar a atenção para o destaque dado ao Donbass nos eventos de palestras realizados nos salões da Expo de Ecaterimburgo. Denis Pushilin e Artem Zhoga, além de várias outras figuras importantes que fizeram parte da saga da luta pelos direitos do povo do Donbass se fizeram presentes no evento, participando de várias sessões de diálogo e de perguntas, o que tanto serviu para reforçar na juventude russa o senso de propósito da operação militar especial quanto para esclarecer a estrangeiros a importância daquilo que se está fazendo e as dimensões do terror sob o qual a população local viveu.

Também parece ter havido uma preocupação com levar à discussão a questão da construção (e reconstrução) do Estado russo segundo bases propriamente russas. Sobre isso, o jurista e deputado Pavel Krasheninnikov deu uma interessante palestra, na qual me foi possível fazer uma pergunta sobre a conciliação entre a herança legal europeia e os valores nacionais russos.

Algumas organizações específicas também participaram do evento, com destaque para o Movimento Internacional dos Russófilos e do Global Fact-Checking Network. A primeira organização realizou um ciclo de comentários sobre a importância da preservação da memória histórica, com certa ênfase na Grande Guerra Patriótica mas oferecendo pontes com outros eventos, momentos e conflitos. A segunda organização trabalhou, entre outros temas, os riscos das novas tecnologias, a necessidade de educar o público para ter consciência crítica no lugar de simplesmente dizer em quê e em quais mídias o público deveria acreditar, as dificuldades de lidar com os algoritmos de redes sociais, e vários outros tópicos de importância estratégica.

Entre os estandes de exibição havia muita coisa de interessante também, oferecida seja por empresas ou por instituições civis ou com vínculos estatais. Entre tudo que me chamou a atenção, eu destacaria o Centro para o Desenvolvimento do Treinamento Esportivo Militar e para a Educação Patriótica da Juventude - VONI, que oferece acampamentos de treinamento militar, esportes, sobrevivência, pilotagem de drones, e outras habilidades interessantes. Também voltado para a educação, mas com um enfoque mais civil, havia lá um estande da Artek que conta com inúmeros programas que vão desde o centro de estudos marinhos em Vladivostok, passando por vários outros tipos de iniciativas que recordam uma mistura entre cursos de verão e os escoteiros.

No âmbito técnico-científico também havia muito que chamou a atenção. Inúmeros projetos da Rosatom foram apresentados, alguns ligados à energia, como novas turbinas capazes de permitir aos foguetes espaciais voarem mais rápido, navios quebra-gelo nucleares, o uso medicinal da tecnologia nuclear, minirreatores, e assim por diante. Também o rápido avanço na indústria ferroviária russa, impulsionado principalmente pelo Grupo Sinara, que está colocando no mercado trens de última geração. A indústria automobilística russa também pôde exibir algumas de suas inovações, como o Atom, da JSC Kama, o primeiro carro elétrico russo, além de novos modelos da Lada, o Azimut e o Iskra.

Naturalmente, tudo isso é apenas uma fração daquilo que estava disponível lá, e seria necessário apontar também a preocupação especial com exibir a diversidade etnocultural russa, tanto em exibições artísticas, quanto de dança e de culinária, o que me parece bastante importante para o cultivo da unidade nacional.

Conversando com algumas pessoas que participaram do festival e que nunca haviam estado na Rússia, todos pareceram impressionados positivamente com aquilo que viram, tanto no que concerne o próprio povo russo, superando estereótipos construídos pelo Ocidente, quanto pela imagem de um país que, mesmo sob cerco e sob guerra híbrida, segue avançando em seu próprio caminho de desenvolvimento.

 strategic-culture.su