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🇺🇸 02/09/2026 strategic-culture.su  8min 🇸🇹 #325349

A seita de Fauci não dá sinais de arrefecimento

Bruna Frascolla

Fauci sabia que vacinas podiam causar aborto, mas escondeu. Pandemia criou seita de conformistas que preferem mentiras a admitir erro.

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Entre acreditar em bruxas e empreender uma caça às bruxas, há uma boa distância. Podemos estimar que, durante a maior parte da história da humanidade, a crença em bruxas prevalecesse; não obstante, a histeria de massas dedicadas à caçada é rara. O caso do wokismo aponta para a mesma coisa: desde a década de 1960, as instituições dos Estados Unidos têm propagado pelo mundo uma sociologia conspiratória e uma antropologia maniqueísta segundo as quais a cristandade, em todas as épocas, é má com mulheres, negros e gays. Não obstante, só a partir da década de 2010, instadas pelas redes sociais, uma parcela relevante da sociedade passou a procurar racistas debaixo da cama e a denunciá-los por toda parte. O início dessa histeria coincidiu com o Euromaidan (2014); e pinta, no Ocidente, os EUA como farol de liberdades contra a opressão. Moscou, a vilã tradicional, deixou de ser comunista e passou a ser homofóbica.

Recentemente, Alexandria Ocario Cortez quis fazer crer que o "woke 1" foi um simples delírio da pandemia. Embora isso não seja verdade, a mentira só convence porque, de fato, na pandemia as pessoas não estavam em seu normal, e o wokismo estava em vigência. Ouso escolher como ponto alto do delírio pandêmico os protestos por George Floyd, que surgiram nos EUA em 2020, porém foram replicados de maneira quase instantânea na Europa Ocidental, e tentou-se até fazer uma versão brasileira em São Paulo, liderada por torcidas de futebol que iriam lutar pela democracia (era o governo Bolsonaro, entendido como uma ditadura pelos wokes mais alucinados). Escolho isto como ponto alto da loucura porque a imprensa passara os meses anteriores praticamente acusando de homicida quem quisesse pôr o pé na rua, mas de repente ir à rua formar uma horda para derrubar estátuas "racistas" era quase um dever cívico. Escolas e igrejas estavam fechadas porque causavam "aglomeração", mas causar aglomerações para depredar a cidade estava liberado. A pedagogia e a religião woke eram os únicos lícitos no espaço público.

Os protestos por George Floyd também ajudam a deixa uma coisa clara: durante a pandemia, a mídia tradicional foi o catalisador da histeria de massa. Por mais que a mídia mainstream tenha aderido ao wokismo, é ponto pacífico que o motor dessa histeria foram as redes sociais - especialmente o Facebook e o Twitter. Da parte da mídia tradicional, tratou-se em geral de adesão, não de uma liderança: a TV colocava uma âncora para falar platitudes politicamente corretas ao comentar uma notícia; colocava mulheres negras ou homossexuais orientais em posição de destaque, mas não era ela própria que convocava cancelamentos. Que eu me recorde, foi só mesmo na pandemia que apareceu na mídia tradicional a incitação a manifestações woke, colocando-a numa posição de efetiva liderança. A ONG do Black Lives Matter não tinha a capacidade de mobilização da CNN; a torcida do Corínthians não tinha a capacidade de mobilização da Globo.

São parcelas diferentes as da população que se deixa conduzir pela mídia tradicional e a que se deixa conduzir por influencers de rede social. A primeira é muito maior, consideravelmente mais velha e muito menos politizada. No entanto, durante a pandemia houve uma confluência das duas para o mesmo sentido.

A descoberta do diário de Fauci nos obriga a voltar para esse período da história. Fauci tinha um diário online no servidor do governo, no qual anotava suas impressões sobre a cobertura da imprensa, seus sentimentos etc. Não foi necessário nenhum hackeamento para descobrir nada: bastou consultar os servidores do governo dos Estados Unidos, onde estavam também os e-mails e mensagens de Fauci. No momento, há uma investigação no Senado dos Estados Unidos sobre a conduta desse cidadão durante a pandemia, e essa investigação descobriu coisas da mais absoluta gravidade. Por exemplo: Fauci foi avisado em privado de que as "vacinas" experimentais de covid poderiam causar aborto, mas em público garantia que não ofereciam risco nenhum, e deveriam ser tomadas por grávidas. Eu, que não sou médica, me orgulho de ter denunciado a propaganda do Youtube voltada para grávidas em 2021, dando-lhes garantias irreais de segurança. O tempo me deu razão, mas é em vão que se espera um mea-culpa.

Um dos poucos assuntos da Comissão do Senado que foi tocado pela mídia mainstream é a origem laboratorial do coronavírus. Todos os "conspiracionistas" já sabiam há muito tempo que Fauci financiou pesquisas de ganho de função em Wuhan, mas só agora, com a correspondência que revela os esforços de Fauci para impor a versão da sopa de morcego, o mainstream pode esboçar uma surpresa com o assunto. Os EUA criando armas biológicas em laboratórios no estrangeiro ? Jamais ! Aí já é conspiracionismo: diga "pesquisa de ganho de função", na qual cientistas abnegados apenas fazem o papel da natureza de criar novos vírus letais, para descobrir a vacina de antemão pelo bem da humanidade.

Quando eu era criança, eu tinha informação médica suficiente para saber que a vacina da gripe estava sempre defasada, porque o vírus da gripe está em constante mutação - mas agora eu tenho que crer que as pesquisas de ganho de função têm a perspectiva realista de antecipar os vírus mais mirabolantes que a natureza iria criar de qualquer jeito. Deus nos livre de acreditar nas denúncias da Rússia referentes a biolabs na Ucrânia ! Ou melhor, Deus nos livre de sequer tomar conhecimento delas!

Desde o surgimento dessas vacinas obrigatórias feitas a jato, ficou claro para mim que havia uma divisão geopolítica muito mais relevante do que direita e esquerda. Por exemplo, no Brasil a desconfiança ficou associada à direita bolsonarista, ao passo que a esquerda aderiu em peso à narrativa dos Democratas. No entanto, eu via que Cuba e Venezuela usavam cloroquina. Ali onde há vacina da Pfizer e da AstraZeneca, predomina a influência dos EUA; ali onde não há tais vacinas - e onde buscar tratamentos off-label não é tabu -, não predomina a influência dos EUA.

Comentando as novidades de Fauci, um raro artigo publicado pelo Opera Mundi (um dos poucos veículos da esquerda brasileira que é favorável ao chavismo) afirmou: "A polêmica em torno dos biolabs tornou-se uma das mais intensas durante a pandemia no debate político estadunidense. Automaticamente associou-se a teoria dos morcegos ao progressismo democrata, ao passo que qualquer menção aos biolabs foi tida como mais uma fake news trumpista. Desde então, não se trata mais de descobrir a verdade, mas de marcar posição contra o campo oposto. No Brasil, tal importação de 'ideias fora do lugar' foi ainda mais canhestra do que Roberto Schwarcz poderia imaginar. Nem sequer copiamos a nova etapa da polêmica; preferimos fingir que nada aconteceu."

É assim que o Brasil está: se não passou no Jornal Nacional, não aconteceu; é tudo fake news de direitistas xucros. Uma investigação estatal da maior potência do mundo, conduzida por representantes do povo, não aconteceu. Por ser um grande país monoglota, que na prática não exige de sua classe média o conhecimento do inglês, o Brasil fica sujeito a isso.

Vejam, por exemplo, que eu fui mostrar a uma médica que eu estava certa e ela estava errada no que concerne às vacinas de covid. Qual não foi a minha surpresa ao ver que ela ficava literalmente ofendida porque eu mandava notícias que contrariavam as suas crenças: era o argumento de liberdade de consciência, típico de guerra religiosa, mas na verdade se tratava de simples questões factuais que deveriam poder ser averiguadas por ateus e fiéis das mais variadas crenças. A falta de repertório tornava qualquer site em inglês suspeito - mesmo que fosse o New York Post, fundado por Alexander Hamilton. A médica em questão, como é comum em sua classe, é anti-petista. A direita brasileira não-bolsonarista também é ferrenhamente favorável às vacinas de covid (vide as posturas do ex-governador Ronaldo Caiado e do líder de movimento Renan Santos, que disputam a presidência). É uma direita que adora os EUA, detesta Trump e está numa posição desconfortável com as mudanças geopolíticas.

Se há uma coisa que une os adeptos dessa direita a à esquerda de modo geral, especialmente a woke, é a certeza de ser uma pessoa mais esclarecida do que a média, de estar num nível muito superior ao do populacho. De certa forma, o trumpismo nos EUA e o bolsonarismo no Brasil têm a função de criar o espantalho do ignorantão inculto diante do qual o cidadão conformista sem nenhuma virtude especial pode se sentir especial apenas por comparação. É uma muleta para o ego. Não sei se isso tem uma correspondência perfeita com os partidos da Nova Direita na Europa, já que, com a vigência vigorosa do wokismo na União Europeia, basta chamar o outro de fascista, racista etc. para o cidadão conformista se sentir superior a muitos dos seus compatriotas.

Os anos de histeria de massa da pandemia se cristalizaram nessa seita de seguidores de Fauci que fazem a sua própria autoestima depender de suas crenças acerca da pandemia. São pessoas que acham que só o que sai na grande mídia é verdade; que, se as "vacinas" não tivessem aparecido, a covid teria uma alta letalidade até hoje (os índios brasileiros certamente inventaram a vacina contra a gripe no século XVI e só por isso não se extinguiram); que, quando eles próprios estão com medo, é justo e necessário sacrificar ao seu próprio conforto emocional a vida de jovens saudáveis que sabidamente não morreriam de covid (desde o começo da pandemia, sabia-se que as piores vítimas eram os idosos e os gordos - mas, antes da moda do Ozempic, mandar emagrecer era gordofobia). E depois, quando o sangue está nas mãos deles, que praticaram ou estimularam uma caça às bruxas contra os não-vacinados e os céticos de modo geral, é justo e necessário manter a mentira em pé, para que continuem tendo conforto emocional.

É difícil pensar numa solução para essa gente, pois, assim como os cracudos vão usar qualquer centavo para se entorpecer, os conformistas de autoestima inflada vão usar qualquer pretexto para continuarem aferrado às próprias crenças. E isso é tanto mais grave quando levamos em conta a grande adesão da classe médica ao credo: o que significa que muitos dos nossos supostos médicos nada mais são que propagandistas de laboratório, desprovidos de competência e senso crítico para agir segundo o juramento de Hipócrates.

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