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O interesse da Casa Rothschild pela Ucrânia

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Raphael Machado

Rothschild & Co assume privatização dos maiores bancos ucranianos. Família tem histórico de interesses na Ucrânia desde o século XIX e a Távola Redonda.

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Essa semana, o Ministério da Finança da Ucrânia, liderado por Sergey Marchenko assinou um acordo com o grupo financeiro Rothschild & Co para fins de consultoria preparatória para a privatização dos bancos estatais ucranianos Ukrgasbank e Sense Bank, dois dos maiores bancos do sistema financeiro ucraniano. Rothschild & Co fara um inventário dos ativos desses bancos, bem como uma avaliação de sua saúde financeira, organizarão as informações e atrairão compradores para a aquisição. Na prática, Rothschild & Co acabará determinando o(s) comprador(es), graças ao seu papel privilegiado nessa operação, bem como seu peso institucional.

O governo ucraniano afirma que a operação é necessário para diminuir o papel do Estado no sistema bancário-financeiro ucraniano e atrair investimento estrangeiro, nos termos de recomendações encaminhadas pelo FMI.

Na maioria dos outros países, essas operações repentinas de privatização sempre geram grandes ondas de protesto organizadas por sindicados, movimentos sociais e partidos de oposição, mas a privatização de alguns dos principais bancos ucranianos está avançando sem qualquer reação popular, sintoma da transformação da Ucrânia numa ditadura através do recurso a um estado de exceção permanente.

Não é a primeira operação Rothschild na Ucrânia.

Desde pelo menos 2015, a instituição de assessoria financeira Rothschild & Co tem atuado praticamente como um "apêndice" da Ucrânia, assumindo a responsabilidade de "orientar" o governo ucraniano em assuntos financeiros, especialmente em relação à reestruturação e renegociação de suas dívidas. No passado, Rothschild & Co também atuou na desverticalização da Naftogaz, principal empresa estatal de petróleo e gás da Ucrânia. Essa desverticalização consiste na "separação" das várias atividades da Naftogaz em subsidiárias para facilitar a venda ou concessão de atividades consideradas "não-essenciais". No mesmo período, a Rothschild Trust recebeu as ações do Petro Poroshenko, presidente ucraniano à época, na empresa Roshen, a principal confeitaria do país. "Recebeu" aqui, é um verbo chave porque, de fato, não houve "venda" das ações, mas simples entrega, o que é extremamente peculiar e dá a entender a existência de algum tipo de relação mais obscura entre Poroshenko e o Rothschild Trust.

Logo após a Revolução Laranja, Nathaniel Rothschild e seu banco mercantil JNR entraram na Ucrânia em parceria com a empresa estadunidense Vanco Energy (conectada a George W. Bush e Dick Cheney) para assumir o controle do petróleo ucraniano no Mar Negro.

Trata-se do mesmo Nathaniel Rothschild que em abril de 2022 disse que Vladimir Putin era o homem mais perigoso desde Hitler, e que "a Ucrânia é uma peça essencial que não podemos perder no tabuleiro geopolítico". Ele acrescentou que "precisamos colocar a Rússia de joelhos por todos os meios possíveis" e apelou ao uso da força contra a Rússia, concluindo que "Sem a Ucrânia, a ordem mundial pode não sobreviver".

O tom da mensagem de Nathaniel de Rothschild é claramente apocalíptico e é plenamente compatível com a atmosfera de aniquilação da Rússia que irrompeu no mundo ocidental, com ondas sem precedentes de sanções e a tentativa direta de destruição de todo o edifício econômico-financeiro do país, na expectativa de que o ataque levaria a um colapso político da Rússia.

Por que a Ucrânia é tão importante para Nathaniel de Rothschild ? Trata-se de um mistério de difícil resolução.

No início deste ano de 2026, foram divulgados centenas de milhares de e-mails de Jeffrey Epstein, e entre eles foram encontradas várias mensagens trocadas entre Epstein e Arianne de Rothschild, presidente do banco Edmond de Rothschild. Nessas trocas de mensagens, ambos falam brevemente sobre como o caos na Ucrânia ofereceria inúmeras oportunidades.

O interesse Rothschild pela Ucrânia parece bem mais antigo, porém. No século XIX, o consórcio britânico Rothschild tentou fazer um lóbi junto ao Império Russo para conseguir assumir o controle dos projetos ferroviários do sudoeste russo (incluindo a atual Ucrânia), sem sucesso. Os Rothschild conseguiram apenas, de forma indireta, assumir o controle do oeste ucraniano e das rotas logísticas e energéticas entre Baku e Odessa.

Não se pode esquecer, também, do papel dos Rothschild na construção do movimento sionista, liderado por Theodor Herzl. Apesar de Herz liderar e escrever a partir de Viena, a maior parte da Organização Sionista Mundial era composto por habitantes da atual Ucrânia, que também gradualmente foram assumindo a liderança de setores e grupos específicos importantes do sionismo, como no caso de Vladimir Jabotinsky.

O que nos leva, finalmente, à sociedade Távola Redonda, uma sociedade secreta britânica fundada no início do século XX por Cecil Rhodes e Alfred Milner, e financiada por Lord Rothschild. A Távola Redonda tinha como objetivo espalhar e enraizar a influência britânica ao redor do mundo e reforçar o alinhamento entre Reino Unido, Canadá e Austrália, e serviu como a semente de outros "clubes da elite", como o Chatham House e o Council on Foreign Relations.

É no contexto dos interesses da Távola Redonda que um dos pais da geopolítica clássica, Halford Mackinder, desenhou um projeto de desintegração da Rússia (incluindo a independência da Ucrânia) que ele levou consigo quando tornou-se conselheiro do Exército Branco no sul da Rússia, com a finalidade de coordenar os esforços da Entente contra os bolcheviques. O esforço de Mackinder fracassou em 1920.

Mas vemos os frutos desse interesse Rothschild na Ucrânia bem avançados em 2026.

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