
Eduardo Vasco
Coalizão Negra por Direitos, financiada por Soros, elege 16 deputados federais que aplicam a agenda identitária da Open Society no Congresso.
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A política identitária dita "antirracista" tem recebido uma atenção crescente da Open Society. Em documento publicado em 2021, o diretor da divisão do Programa de Saúde Pública da organização, Kayum Ahmed, descreveu uma mudança na estratégia de financiamento para melhor incorporar a questão racial, de poder e de privilégios à política de financiamento da OSF.
"Estamos trabalhando para incorporar uma abordagem interseccional ao nosso financiamento; para mudar a distribuição do poder, precisamos mudar com quem trabalhamos, por meio do financiamento e da nossa capacidade de convocar atores", escreveu.
O documento recomenda expressamente que as estratégias de financiamento incluam análises de poder e privilégio e objetivos para enfrentar estruturas de opressão e discriminação. Também orienta que a fundação seja específica ao falar de racismo, perguntando se está se referindo ao racismo antinegro e à supremacia branca. É uma orientação para modificar a seleção dos beneficiários, as relações institucionais e a distribuição de recursos segundo uma análise "interseccional" de poder.
No meu último artigo para a SCF, abordei os parlamentares eleitos em outubro com o apoio de ONGs que se passam por defensoras dos negros e que são financiadas pela Open Society. A organização guarda-chuva que reivindica a luta dos negros é a Coalizão Negra por Direitos, que promoveu candidaturas a partir do projeto Quilombo nos Parlamentos. São ao menos 16 novos deputados federais. Entre eles está Jones Manoel (PSOL).
Em agosto deste ano, Jones Manoel foi um dos destaques do lançamento do Quilombo nos Parlamentos em Pernambuco. Em seu discurso, ele afirmou: "acho que na atual conjuntura brasileira, há dentro da própria esquerda uma ofensiva contra o movimento negro, e não só, tachando-o, a partir de um debate equivocado, de identitarismo. Então há uma fala de que lutas antirracistas, antipatriarcais, antilgbtfóbicas, seriam lutas identitárias menores."
O deputado eleito pelo PSOL também confirmou ter assinado a carta compromisso do Quilombo nos Parlamentos, aderindo oficialmente às diretrizes estabelecidas pela Coalizão Negra por Direitos. Isso significa que Jones se comprometeu a aplicar a política da Coalizão como deputado no Congresso Nacional.
A política da Coalizão Negra por Direitos segue exatamente a cartilha de sua financiadora, a Open Society. A organização guarda-chuva de George Soros financia o movimento Black Lives Matter nos EUA, que desmontou a revolta popular contra o assassinato de George Floyd e levou à eleição de Biden/Harris. No Brasil, copiou-se o movimento Vidas Negras Importam. No mesmo momento em que Soros impulsionava o BLM, a Coalizão publicou um manifesto de direitos humanos: "exigimos a garantida de direitos humanos a negras e negros. Queremos viver, não apenas sobreviver ! Vidas negras importam. Basta de genocídio."
Enquanto a OSF, ao anunciar as iniciativas em torno do legado de Marielle Franco, destacou sua intenção de "apoiar mulheres negras na política brasileira", o manifesto de 2024 do Quilombo nos Parlamentos deixava claro que estava "impulsionando candidaturas, mandatas e bancadas negras".
A teoria do racismo estrutural e do genocídio negro, propagada pela Coalizão Negra por Direitos e pelas organizações negras identitárias, tampouco é original. Anos atrás, Alexander Soros, filho, herdeiro e continuador do legado de George Soros na OSF, já utilizava exatamente o termo "racismo estrutural". O relatório "Advancing Diversity, Equity and Inclusion in Grant Making", publicado em 2021 pela OSF, também afirmava: "a maioria [das sociedades] também incorpora o racismo estrutural e a desvalorização sistêmica de pessoas com pele mais escura."
Jones Manoel é conhecido por relativizar o papel do financiamento imperialista a organizações que se dizem representantes dos oprimidos. Para ele, fundações como as de George Soros realmente fazem filantropia e não seria um absurdo receber financiamento delas. Agora fica claro porque ele pensa dessa maneira: ele próprio acaba de ser impulsionado pelas entidades de Soros para se eleger deputado.
Erika Hilton é um caso de envolvimento profundo com a Open Society. Além de ser promovida pela Coalizão Negra por Direitos, a fundação de Soros impulsiona a deputada a partir da pauta transexual, como demonstrado em artigo recente. Em 2025, Hilton destinou R$ 1,5 milhão em recursos de emendas parlamentares à Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), incluindo a prestação de serviços para a Frente Parlamentar LGBT+, liderada pela própria Hilton. A Abong recebeu R$ 4,3 milhões de financiamento da OSF entre 2016 e 2024 e também integra a Coalizão Negra por Direitos, como mostrado no artigo anterior.
Além disso, tal como foi promovida pela Coalizão Negra por Direitos, Hilton também recebeu apoio da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) nas eleições de 2026. A ANTRA recebeu 25,8 milhões da OSF, através do Fundo Brasil, entre 2016 e 2024. A deputada também chegou a indicar Bruna Benevides (presidente da ANTRA e integrante do conselho deliberativo da Conectas Direitos Humanos, que é financiada pela OSF e também faz parte da Coalizão) para receber a Medalha do Mérito Legislativo da Câmara Federal em 2024. Por fim, um documentário biográfico chamado House of Hilton foi produzido com o aporte de 25 mil dólares de um fundo da Firelight Media, uma organização sediada em Nova Iorque que tem entre seus apoiadores a Open Society Foundations.
Os atuais mandatos de Dandara Tontzin e Carol Dartora são responsáveis pela indicação de uma emenda parlamentar que permitiu um termo de fomento de R$ 2,4 milhões entre novembro de 2025 e fevereiro de 2027 ao Instituto de Referência Negra Peregum, uma das ONGs da Coalizão Negra por Direitos que é financiada pela Open Society.
Tontzin também apresentou, em abril de 2025, o requerimento para realizar, em conjunto com outra comissão, o seminário "Racismo Ambiental e Transição Energética Justa". Entre os convidados estavam representantes do Peregum, do Geledés, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC) e da Terra de Direitos. O INESC e a Terra de Direitos também são receptores de fundos da Open Society (o primeiro recebeu R$ 8,6 milhões e o segundo R$ 4,6 milhões). O seminário ocorreu em 28 de maio de 2025. A página oficial da Câmara registra a participação de Carol Dartora e de Maíra Rodrigues da Silva, coordenadora da área de combate ao "racismo ambiental" do Peregum.
O funcionamento do esquema Soros, que é repetido mundo afora, fica muito claro. Primeiro, localiza indivíduos com ideias e objetivos compatíveis com os da Open Society. Depois, promove esses indivíduos através de suas ONGs. Quando eles se elegem deputados, passam a representar os interesses de Soros no Parlamento. E ainda por cima ajudam as ONGs que os promoveram, fortalecendo-as ainda mais para que continuem o seu trabalho de treinamento de novos agentes.
Todos esses deputados se apresentam como políticos de esquerda e até mesmo socialistas e anticapitalistas. Não passam de enganadores de um público ingênuo de esquerda, que gostaria de verdadeiras mudanças no País mas que estão capturados pelas ideias identitárias. Essa falsidade ideológica leva setores de direita a acreditarem que George Soros é um socialista, pois financia a esquerda. No entanto, ainda que acreditem ser de esquerda, esses deputados não podem ser considerados como verdadeiros esquerdistas, socialistas ou anticapitalistas. O socialismo é a antítese do capitalismo e, portanto, seu inimigo mortal. Se um dos maiores capitalistas do mundo os financia não é para instaurarem o socialismo, mas sim para aprimorarem o sistema de dominação capitalista sobre o povo brasileiro. Esses deputados "socialistas" são os negros da casa de Soros.